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30 metros de cabo de rede para um quarto de 3x3

Existe um meme bastante popular na tecnologia, com suas respectivas variações, mas que todas fazem referência a uma solução gigantesca para um problema relativamente pequeno. Foi exatamente isso que eu fiz, daí o título.
A razão de existir do meu homelab sempre foi aprender, deixar de depender de serviços externos para coisas tão mundanas como hospedar fotos, vídeos ou música. Embora, com a onda crescente de IA na qual todos terminamos surfando, eu não podia ficar de fora, sem self-hostear algum modelo próprio, mesmo com hardware limitado.
Passei um monte de horas dando voltas nas minhas ideias, criando, apagando, e até recriando tanto VMs quanto LXCs no meu Proxmox. Me sentia um pouco sobrecarregado, sem um plano definido, e até fazendo algumas coisas quase como teste do que com impacto real. O leque de possibilidades é tão amplo que é normal cair na tentação de querer correr antes de andar.
Dei uma pausa.
Apaguei um monte de coisas que provavelmente não vou demorar para reinstalar, outras deixei pausadas, outras configurei como parte do boot inicial, etc. Comecei a colocar ordem: um LXC para Docker, outro para Ollama, se comunicando entre si para rodar modelos self-hosted, um proxy reverso nginx, e Pi-hole. Eu precisava de ordem, uma boa resolução de DNS, e filtrar tudo que não me interessa ver na rede.
Mas havia um problema.
Tudo isso não servia de muito se o tráfego não passasse de fato por ali, de forma coerente e sensata. Não fazia muito sentido que só o mini PC estivesse aplicando os filtros, bloqueios e demais configurações do Pi-hole e do nginx. E é aqui que entra em ação um brinquedo novo, um MikroTik hAP ax².
E foi aqui que eu me tornei um meme.


(Preferi o screenshot do Windows para a história ficar mais dolorosa…)
Fiquei umas quatro, cinco vezes fora da minha própria rede, e ironicamente, quando consegui resolver, tinha acesso à rede, mas não ao homelab… “Redes”.

Então, efetivamente, fui domado por redes, várias vezes, e não descarto que não sejam as últimas — as probabilidades continuam aí.
Mas, enfim, enquanto escrevo isso me contento em saber que, pelo menos por agora, tenho internet do jeito que eu quero.
Este é o estado atual depois de todo esse caos:

Em algum ponto de toda essa desordem, terminei montando algo que ao menos faz sentido quando olho de fora. O diagrama é isso. A internet entra, passa pelo MikroTik — que agora é quem manda na rede — e antes de chegar a qualquer dispositivo, tudo passa pelo Pi-hole.
E parece ótimo, como se eu soubesse do que estou falando, ou como se fosse uma espécie de gênio. Nada mais distante da realidade — na verdade, cada vez que sento para meter a mão no homelab, sinto que sei menos; as especialidades deixam de fazer sentido, o conhecimento cross-área é recompensado, enquanto o desconhecimento é punido.
Já não se trata só de aprender sintaxe, lógica ou teoria. Nem mesmo de colocar coisas em produção ou ter usuários reais.
Se trata de entender um caminho completo que muitas vezes é ignorado no desenvolvimento: onde se cruzam o hardware, as quedas de energia, as redes locais, a exposição à internet, e um monte de outras coisas que eu ainda não termino de entender.
Mas, com o tempo, espero conseguir.
Enquanto isso, me contento em ver algumas métricas de como tudo se comporta. Nada muito sofisticado, mas o suficiente para entender o que está acontecendo.


30 metros de cabo de rede jogados atrás do MikroTik e do mini PC. E um monte de ideias na mesa que eu ainda preciso organizar.