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De "Salat" num OT polonês a administrar meu próprio mundo Dragon Ball

Por volta de 1997, aconteciam duas coisas tão distantes quanto épicas: por um lado, começava a ser transmitida no México a primeira versão de Dragon Ball em espanhol, enquanto, ao mesmo tempo, nascia um MMORPG quase revolucionário para a época, conhecido como GIMUD (Graphical Interface Multi-User Dungeon), embora tenha ganhado popularidade nos fóruns mais old-school como Tibia.
Muitos dessa geração crescemos com pelo menos uma das duas coisas, alguns mais privilegiados talvez com ambas, mas os mais sortudos (segundo meu critério sem nenhuma base coerente) conheceram uma fusão das duas.
Tibia, um jogo multiplayer online com uma infinidade de quests para descobrir, a tal ponto que, atualmente, mais de 20 anos depois do seu lançamento, ainda existem muitos mistérios, teorias, dungeons e até monstros não descobertos.

E assim, com esse entusiasmo, outros fãs — daqueles que na infância levantaram as mãos na frente da TV para dar sua energia ao Goku enquanto ele carregava sua Genki Dama — decidiram pegar parte desse engine, moldá-lo, reconfigurar sua aparência, mudando dramaticamente o jogo, sem nunca perder a essência do Tibia.
Assim nasceram as primeiras versões do WODBO, um OT Server baseado no Tibia, representando: World Of Dragon Ball Online.
Parece cômico, mas até se poderia dizer que é uma analogia à fusão de Trunks com Goten, mas não me sinto nerd nem otaku o suficiente para afirmar isso depois de um banho.
Dito isso, voltamos à Polônia, junto com uma dúvida existencial de como um OT Server polonês chegava a uma cidade de menos de 10.000 habitantes numa zona rural. E assim, com pouco mais de 13 anos, num Pentium 2 que toda a família usava, comecei a jogar: DBVICTORY, jogo que continua ativo até hoje.

Mas o tempo passou. Fiquei no topo do ranking por bastante tempo, uma conquista pessoal que na época tinha sua importância — aqui, os gamers vão me entender. Mas o tempo continuou passando, a gente cresce, observa, escuta, aprende, ficando muitas vezes só com a lembrança daquilo que poderia ter sido, uma nostalgia que só quem estava lá vai entender — farmando loot até altas horas da madrugada porque era necessário para acessar uma quest especial. 5 pessoas: 2 poloneses, 1 mexicano, 1 brasileiro, e eu.
Até me lembro de algumas classes com seus respectivos nicknames: Libra, um Picollo, excelente em PVP; Karma, um Bardock sendo o tank do time, junto com Psycho, um Dende, todos da Polônia. Depois tinha o Bless, um Goku na segunda linha de frente, do México, enquanto King, do Brasil, junto comigo, “Salat”, ambos jogando de Trunks — a gente jogava numa espécie de “suporte”, mesmo que nossos personagens fossem mais de burst.

A comunicação, que dilema — era um Frankenstein entre palavras soltas em polonês como “zajete”, “nie”, “yo”, “elo”, misturadas com inglês, e um sotaque português colado no “wey”. As risadas não faltavam, o entendimento era mínimo, o suficiente e necessário para o time saber se ia começar uma WAR entre clãs, ou se precisava de alguém para uma quest recém-descoberta.
O mesmo espírito do Tibia, mas com o fanatismo de Dragon Ball.

E assim, este ano, com o Homelab, me veio uma ideia distante de “self-hostear meu próprio servidor”, por um motivo simples: porque eu posso.
Porque eu posso ir, assim como fizeram as primeiras pessoas, modificando o mapa, as quests, criando assets, alterando coisas à vontade, para criar meu próprio Frankenstein vivo de Dragon Ball, onde posso jogar com meus amigos, fazer brainstorm, criar, modificar, apagar.
E, sobretudo, aprender :)
Nesse ponto, chegava a parte mais importante: encarar aquela parte de todo esse ecossistema que eu simplesmente não conhecia. Foi assim que tive meus primeiros contatos com OTServ, TFS (The Forgotten Server), junto com uma quantidade excessiva de pesquisas no Google, busca em fóruns de diferentes regiões, muitas tentativas fracassadas de levantar meu próprio servidor por questões de compatibilidade, arquivos faltando, etc.
Até que consegui.
Consegui subir uma versão do Wodbo Wars, parecida com a DBVICTORY, mas com grandes diferenças em nível de mapping, quests, além de que parecia estar construído 100% p2w, algo que, claramente, removi assim que pude.
E assim, comecei a jogar dentro do meu próprio servidor, encontrando bugs, coisas que não me convenciam, coisas que eu simplesmente queria remover ou modificar — uma sensação estranha de ter um mundo virtual vivo, onde estivemos testando com alguns amigos experiência, níveis, habilidades, itens, etc.
Depois disso, fiz uma auditoria completa para entender o que eu realmente quero alcançar com a experiência de jogo, porque existe uma linha fina entre a obsessão pelo passado e a nostalgia em si.

E atualmente, é isso: um servidor simples, humilde, com o único objetivo de reviver bons tempos, hoje, quando o que mais falta costuma ser tempo.

Hoje, o Wodbo Wars é isso: privado onde importa, público só onde alcança. Continuo encontrando bugs, ajustando quests e evitando essa linha fina entre nostalgia saudável e obsessão pelo passado.