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Projeto Homelab

São 14h de um 24 de dezembro, tocando hip hop dos anos 90, almoçamos cedo enquanto o calor escaldante do verão não é suficiente para nos deixar mais lerdos (ainda mais), graças ao privilégio de ter um ar-condicionado que dá conta do recado. E como a lerdeza ainda não é total, vim para o meu “quarto-escritório” escrever o primeiro artigo dessa série, onde bato a cara contra problema atrás de problema tentando montar um homelab, sendo sincero, sem um objetivo claro além de: “aprender na prática”.
O objetivo
A ideia do homelab começou no início de 2025, quando o jd, um amigo do IT World, compartilhava comigo seus avanços — desde um entendimento melhor de redes até a expansão do conhecimento de hardware em diversos aspectos: disponibilidade, resiliência, etc. Conceitos sobre os quais falávamos com frequência pensando em cloud, mas que agora, precisávamos pensar em como resolver esses problemas a nível físico.
Enquanto passavam longas horas de estudo, debates, pesquisa, katas de leetcode ou arquitetura, o homelab dele avançava, enquanto o meu, por diversos motivos, ficou só como uma ideia para o futuro. Até dezembro de 2025, quando, na véspera de Natal, depois de muito pensar, decidi me dar um autopresente. Aqui, quem me conhece de perto sabe que eu não costumo gastar dinheiro “só porque sim”, mas dessa vez, disse a mim mesmo que precisava colocar em prática, enfrentar novos desafios, e sobretudo, aprender coisas novas.
A série, o blog
Ao longo da minha vida escrevi bastante — sobre algumas coisas, bastante; sobre outras, bem pouco — porém, o mundo da tecnologia foi pouco a pouco me consumindo em algumas áreas que eu realmente gostava, como esta. Aliás, faço menção ao nosso estimado Fulanosaurio, que me diagnosticou de forma profissional através do soundpad do Discord como estando em estado de: brainrot. Por isso, depois do merecido castigo por ser um energúmeno que postava coisas feitas por IA, tive a ideia mais absurda de, neste século 21, ir contra a corrente, escrevendo por mim mesmo.
O homelab
Como mencionei no início, o objetivo não estava claro. O que estava, e ainda está claro, é continuar aprendendo, e nessa linha, tomei umas decisões um pouco ridículas, mas que, na minha visão totalmente distorcida da realidade, vão me ser úteis.
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A compra. Pesquisei em diferentes países, diferentes fretes, etc., para no final terminar comprando localmente por causa dos impostos de importação excessivos num aparelho que, com sorte, pesa 1kg. Acabou nas minhas mãos alguns dias depois de tomar a difícil decisão (5 minutos), com uma Dell 3040 Core i5 6ª geração, 16GB, 256GB SSD, Refurbished — recondicionada, claro. Apesar de ter algumas limitações, gostei bastante comparado a outras opções em que, pelo mesmo preço, você comprava uma batata com um hamster de CPU; pelo menos essa Dell parecia uma versão honesta e humilde para começar.
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Pós-compra. Comecei a avaliar mais opções. Meu interesse inicial era em automação residencial, mas, dada a época, somado ao fato de que no meu país não é tão fácil achar hardware específico, tive que dar umas voltas na ideia inicial. Na verdade, não demorei muito para decidir — depois de ser um nerd de PC por tanto tempo, me senti iluminado. “Vou fazer algo para jogar jogos de PS2 na sala.” Isso trazia alguns problemas de posicionamento, novas conexões de cabo de rede, além de configurar uma VM especificamente para isso… Em breve, problemas de performance também.
O homelab: Primeiros passos
O início foi simples, mas eu estava mais animado do que um otaku no lançamento do último capítulo de One Piece (eu entendo esse sentimento). Tinha um pendrive velho, o Proxmox baixado, e o Rufus fazendo mágica. A instalação no mini PC foi tranquila, do início ao fim. A partir daí, começaram os “problemas”:
Note que escrevi “problemas” entre aspas de propósito — não eram problemas em si, mas sim desconhecimento como usuário. Entre os problemas que encontrei, foram dois, três:
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Eu não conseguia acessar o IP da minha máquina com Proxmox. Sempre dava connection refused. Até que percebi que isso só acontecia no Chrome. Mas não foi frustrante — foi, na verdade, a chama da curiosidade de novo. Precisava entender qual era a diferença entre navegadores acessando o mesmo IP:PORT. Pesquisando no Google, encontrei tanta informação que ficava até de saco cheio. E sim, no Google, like old school, porque mesmo com prompts bem elaborados, a IA no free-tier, na véspera de Natal, parecia mais interessada em fazer uma salada de frutas do que em me responder algo breve e concreto. Ainda que aqui eu admita: a IA é excelente, mas também é a culpada pelo meu diagnóstico via soundpad.

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Cabos — tenho uma desordem enorme de cabos, sobre a qual já dei várias voltas sem chegar a um consenso comigo mesmo sobre o que fazer. O problema não é exatamente a distância dos dispositivos até a tomada; o problema é que preciso poder variar como eles se movem, ou seja, às vezes preciso que um notebook tenha prioridade sobre outro. O mini PC pode ficar em qualquer lugar — aliás, nem vai ficar aqui (lembrando que o lugar dedicado a ele vai ser a sala da casa, para jogar jogos retrô como um bom velhinho).

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RetroArch — alguns problemas de performance, crashes do Core de PS2, foram alguns dos issues que apareceram na primeira VM que subi dentro do Proxmox junto com um Linux Mint Cinnamon Edition. Porém, esses crashes desapareceram com o Core de Nintendo 64 ParaLLEIN N64, então, novamente iluminado, saí à procura de mais um clássico ou outro para o teste de fogo.
O homelab: Primeira meta concluída

Nesse ponto, dando razão ao Doctorsauriodon’t sobre meu diagnóstico, não sei bem como encerrar um post que escrevo sem usar nossas magníficas ferramentas ladras de emprego (IA); porém, duvido humildemente que elas conseguissem ser igualmente sarcásticas. Dito isso, os próximos passos para o homelab são:
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Mover o mini PC para a sala, adicionar dois joysticks para fazer um bom torneio de Mortal Kombat, Super Mario, ou Crash… O importante aqui é que o mini PC fique longe do meu quarto-escritório, para facilitar a conexão HDMI com a TV da sala compartilhada, enquanto na mesma rede, outras coisas vão sendo cozidas… Como diriam as novas gerações: deixa ele cozinhar, let him cook.
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Um novo nó, dedicado a IoT, automação residencial, automação baseada em leitura de sensores. Sinceramente, não sei bem o quê — possivelmente algo relacionado a regar plantas, porque na minha casa, embora tenhamos uma quantidade exorbitante, assim como para alguns regar é terapêutico, para mim é pura tortura.
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Um novo nó, focado em AppSec, possivelmente relacionado a dispositivos de alarme, câmeras de vigilância — aqui a ideia é mais ou menos comprar as coisas para programá-las eu mesmo. Não faz muito sentido comprar uma câmera “inteligente”; o objetivo do homelab é que uma câmera possa me enviar dados para o meu servidor. Eu decido o que fazer com essa informação.
Menção especial para nosso amigo tiltado. Well, my work here is done.

E diante das notícias de « que palavra estranha » a aquisição de novas plataformas de streaming, me vejo totalmente obrigado a me despedir, até novo aviso, citando alguém que realmente não preciso nomear:
“É isso, pessoal.”